Observatório da cidadania do Pará 2001/2002


O Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) lançou no dia 3 de abril o seu segundo relatório Observatório da Cidadania do Pará. Com o mesmo intuito do relatório de 2000, o Observatório da Cidadania do Pará 2001/2002 pretende substituir uma visão setorial ou fragmentada da realidade, muitas vezes autoritária e de cima para baixo, por uma ótica holística, complexa, interativa das realidades. Com textos sobre os mais diversos aspectos da vida paraense, de crimes ambientais a questões energéticas, de combate ao racismo a participação da sociedade, o Observatório mostra o que melhorou e que piorou no Pará em termos de políticas públicas. Nossa missão é democratizar e valorizar a discussão sobre o futuro do Pará, além de apresentar propostas de mudanças, em cada um dos capítulos.

Feito por entidades sem fins lucrativos da sociedade civil paraense, o Observatório procura preencher uma lacuna do poder público, criando uma cultura de responsabilidade com o levantamento de indicadores e informações, instrumentos poderosos para o monitoramento e planejamento político.

As contribuições para este livro são frutos da vasta experiência de entidades e autores que trabalham, no dia-a-dia, para superar discriminações ou desigualdades, melhorar a qualidade de vida, conservar o meio-ambiente, promover a cidadania social e ambiental. Desde 1995, entidades da sociedade civil em 50 países, formando a rede do Social Watch/Observatório da Cidadania, acompanham e avaliam os compromissos feitos nas conferências internacionais e verificam através de indicadores os avanços e retrocessos, além de medir a eficácia das políticas sociais. O primeiro relatório anual do Observatório da Cidadania Brasil saiu em 1997 por iniciativa das ONGs Ibase www.ibase.org.br/observatório, coordenadora do projeto, e Fase (Rio de Janeiro) www.fase.org.br, Cedec (São Paulo), Inesc (Brasília) e SOS Corpo (Recife). Em 1999, entidades vinculadas ao Fórum da Amazônia Oriental em Belém tomaram como referência a idéia principal do Observatório da Cidadania, o monitoramento de políticas publicas, e partiram para uma experiência em nível estadual.

O primeiro relatório lançado pelo FAOR em abril de 2000 caiu como uma bomba na opinião pública local. O centro das atenções foi a avaliação do desempenho político dos parlamentares estaduais e federais do Pará, baseado num catálogo de critérios previamente acordados entre as entidades participantes. O fato provocou uma sessão especial na Assembléia Legislativa. A maioria dos parlamentares repudiou  o fato de ter sido avaliado por ONGs e discordou da maioria de notas recebidas regular e ruim de desempenho.

Como resultados do Relatório de 2000 tivemos: a instauração de inquéritos nos casos de homicídios cometidos por policiais determinados pelo Conselho de Segurança Pública, a instauração de um processo administrativo por parte do Ministério Público para a implementação dos Conselhos Tutelares e de Direitos em todos os municípios do Pará e ampla divulgação pela imprensa dos dados produzidos pelo Observatório.

Para a edição sobre 2001 e 2002, as entidades do Observatório da Cidadania Pará preferiram dispensar a avaliação do desempenho parlamentar para evitar o seu mau uso  durante a campanha política eleitoral.

A produção do Relatório 2001 e 2002 foi iniciada quando as entidades que compõem o Observatório da Cidadania do Pará se reuniram para avaliar sua atuação de monitoramento de políticas públicas e uma comissão apresentou uma proposta metodológica em março de 2001. Optou se pelo enfoque nos direitos humanos ou DhESC (direitos econômicos, sociais e culturais) www.dhescbrasil.org.br que abrange conceitos concretos e amplamente aceitos que têm respaldo na legislação internacional e nacional.

É claro que o Observatório não se restringe apenas à publicação de um relatório. É  preciso valorizar a dinâmica do processo da construção de cada anuário, aprofundando a gestão e  nossa capacitação neste processo. Em julho de 2001 o FAOR realizou uma oficina sobre Direitos Econômicos Sociais, Culturais e Ambientais, em parceria com o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) www.mndh.org.br, a Associação Brasileira de ONG (ABONG) www.abong.org.br e o Programa de Articulação e Diálogo (PAD).

No mês seguinte, o FAOR, em parceria com a FASE (Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional) www.faor.org.br  e o NAEA (Núcleo de Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará) www.naea.ufpa.br promoveu uma oficina de metodologia do Observatório da Cidadania do Pará. O objetivo principal desta oficina foi aprofundar os conceitos de pesquisa, capacitando os representantes das entidades para o processo de elaboração do novo relatório do Observatório.

No futuro pretendemos observar mais de perto as atividades dos políticos paraenses, retomar a avaliação do desempenho parlamentar, iniciar a análise do orçamento do Estado e as transferências da União, um instrumento fundamental de controle social das políticas publicas. A médio prazo planejamos elaborar com ampla participação da sociedade paraense um sistema de indicadores do desenvolvimento regional para avaliar o que melhorou e piorou no Pará. Vinculada ao sistema de indicadores regionais, queremos introduzir a discussão sobre a linha de dignidade regional com o objetivo de chegar a um índice de qualidade de vida no Pará.

Faça abaixo o download do artigo que interessar.

Se você quiser o livro pode ser comprado por R$ 30,00 (+ frete) é só mandar uma e-mail para o FAOR (faor@amazon.com.br).

Índice

Capítulo 1. CIDADANIA ENGAJADA: Uma prática global

Capítulo 2. POLÍTICAS PÚBLICAS E CONTROLE SOCIAL

Capítulo 3. A OMISSÃO DO ESTADO NA GARANTIA DA QUALIDADE DE VIDA

Capítulo 4. COMBATE AO RACISMO: A luta pela inclusão

Capítulo 5. DA INFÂNCIA À JUVENTUDE: A negação dos direitos atravessando a vida

Capítulo 6. ECONOMIA SOLIDÁRIA: Crédito e desenvolvimento local

Capítulo 7. PARÁ: Um paradoxo energético

Capítulo 8. IMPUNIDADE – Uma realidade permanente

Capítulo 9. CRIMES AMBIENTAIS

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